A curva DI é o termômetro do mercado brasileiro. Cada decisão do COPOM, cada publicação do IPCA e cada movimento dos Treasuries americanos se refletem nos contratos de Depósito Interfinanceiro negociados na B3.
Este guia cobre, em ordem: a mecânica dos contratos, a leitura da inclinação da curva, os mecanismos de transmissão para câmbio e bolsa, e as implicações práticas para a carteira do investidor pessoa física.
Mecânica dos contratos DI
Os contratos DI futuros expressam, em termos de taxa anual, as expectativas de mercado para a Selic acumulada entre a data atual e a data de vencimento. São negociados em ciclos mensais até o ano de 2030, com liquidez concentrada nos vencimentos de janeiro de cada ano.
Como ler a inclinação
A curva é normalmente inclinada positivamente, com taxas de longo prazo acima das de curto prazo. Quando se inverte, o mercado precifica corte de juros futuro. Quando se acentua, precifica alta ou prêmio de risco maior.
Mecanismos de transmissão
Curva DI mais alta encarece o crédito, comprime margens das empresas e penaliza ações. Curva DI mais baixa libera consumo, alivia o serviço da dívida pública e tende a apreciar o câmbio via diferencial de juros.
Implicações para o investidor
Posicionamento em renda fixa prefixada se beneficia de inclinações menores. Posicionamento em IPCA+ se beneficia de inflação acima das expectativas embutidas. Bolsa e câmbio respondem com defasagem aos movimentos extremos.
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